16/05
Casamento Goela Abaixo
Uma das coisas que eu não faço muita questão de participar são desses eventos sociais da família. Casamento de uma prima da tia da irmã da sua vó por exemplo. Você recebe aquele convite todo dondoca em casa, e pra falar a verdade, eu vou mais pra comer de graça, porque de resto é tudo igual. Encontrar parentes que você nem conhece e eles te dizerem coisas nada agradáveis como:
-Nossa! Como você engordou! -Nossa! Não cresceu mais hein, quase não passa a mãe, hehehe. -Meu filho é mais alto que o seu e é mais novo, que coisa não? - Nossa! Você anda mal? Tá com uma cara amarela.
Veja que quase tudo vem acompanhado de Nossa!, como se as pessoas tivessem a obrigação de continuar a mesma de dez anos atrás. Enfim. Aí entra a noiva, todo mundo comenta como ela tá bonita, ou não, as vezes falam mal do vestido. Entra os padrinhos de aliança e todo mundo tira foto e acha-os as crianças prodígios. Na hora da missa, sempre tem um que chora, sempre tem um que tosse, sempre tem um que fica sentado o tempo inteiro, aquela voz de criança chorando e uns pivetes brincando de pega-pega no pátio da igreja. A festa depois não vai muito além disso, só que mais parentes vem falar mais barbaridades, perguntar das "paquerinhas", fica-se uma má-falação de parentes entre si até que chega a comida pra tampar a boca. Aquela típica mesmo: arroz, maionese, lagarto, e strogonoff. O pior de tudo isso é que o povo come duas vezes depois se sente culpado, mas chegando o bolo a culpa passa que é uma beleza. O som geralmente costuma ser musiquinha ambiente de elevador, mas ultimamente tenho presenciado recepções que tocam Créu, Piriguete, É o Tchan, Tati Quebra Barraco enquanto você come, certeza que é pra dar indigestão e sobrar mais pros músicos depois. Depois de umas biritas, sempre vem o noivo com a gravata e um tio bêbado, cortar um pedaço dela e se você der pouco te chamam de mão-de-vaca, esquecendo totalmente de que você JÁ DEU UM PRESENTE OBRIGATORIAMENTE.Sem contar as tias solteironas e viúvas se matando pra pegar o buquê como se alguém gostasse de uva passa sem ser no panetone.É, família a gente não escolhe, aceita.
por Fernando Galassi * 11:39
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